Serra Gaúcha Nasci em uma família barulhenta

Nasci em uma família barulhenta, daquelas que se reúnem para almoçar aos domingos e todos falam, gargalham e gesticulam ao mesmo tempo.

“Prisci, vem almoçar!”, ressoava a voz potente de meu pai, atravessando a cozinha e penetrando as paredes do meu quarto. “Prisci, vem aqui!”, chamava minha mãe lá no porão.

Silêncio foi algo raro na minha infância.

A TV ou o rádio estavam sempre ligados.

Os vizinhos ouviam Amado Batista no volume máximo.

Aos finais de semana, os amigos competiam para ver quem tinha o som automotivo mais potente.

Fui uma criança e adolescente nervosa e explosiva.

Levei muitos anos para entender que o barulho afetava meu humor.

Sou sensível a pessoas que falam sem parar, a freadas e buzinas de caminhões, obras e não vejo a hora de desligar a panela de pressão.

Não era nada fácil trabalhar em redações de jornais com telefones tocando e vários repórteres conversando ao mesmo tempo com suas fontes.

Mas algo mudou quando comecei a cursar jornalismo e precisava passar 3 horas dentro de um ônibus para chegar e voltar da universidade.

Eu conheci o silêncio e me apaixonei.

Foram muitos anos curtindo minha companhia, lendo livros, olhando pela janela do ônibus e deixando a mente vagar por universos paralelos.

Eu amo o silêncio. Meu corpo e alma imploram por ele.

Um dos locais mais lindos para ouvir a voz do silêncio é a Lagoa da Harmonia, em Teutônia, no Rio Grande do Sul.

Eu passo horas contemplando a paz e agradecendo a oportunidade de silenciar.



Por @priscila_boeira
Foto Ricardo Zeni Moreno

???? Lagoa da Harmonia - Teutônia RS